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3 de nov. de 2010

Livro - Política I

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Livro - Política I - O Segundo Tratado Sobre o Governo - John Locke
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John Locke
Considerado um dos mais importantes pensadores da doutrina liberal, John Locke nasceu em 1632, na cidade de Wrington, Somerset, região sudoeste da Inglaterra. Era filho de um pequeno proprietário de terras que serviu como capitão da cavalaria do Exército Parlamentar. Mesmo tendo origem humilde, seus pais tiveram a preocupação de dar ao jovem Locke uma rica formação educacional que o levou ao ingresso na academia científica da Sociedade Real de Londres.
Antes desse período de estudos na Sociedade Real, Locke já havia feito vários cursos e freqüentado matérias que o colocaram em contato com diversas áreas ligadas às Ciências Humanas. Refletindo a possibilidade de integração dos saberes, o jovem inglês nutriu durante toda a sua vida um árduo interesse por áreas distintas do conhecimento humano. Apesar de todo esse perfil delineado, não podemos sugerir que Locke sempre teve tendências de faceta liberal.
Quando começou a se interessar por assuntos políticos, Locke inicialmente defendeu a necessidade de uma estrutura de governo centralizada que impedisse a desordem no interior da sociedade. Sua visão conservadora e autoritária se estendia também ao campo da religiosidade, no momento em que ele acreditava que o monarca deveria interferir nas opções religiosas de seus súditos. Contudo, seu interesse pelo campo da filosofia modificou paulatinamente suas opiniões.
Um dos pontos fundamentais de seu pensamento político se transformou sensivelmente quando o intelectual passou a questionar a legitimidade do direito divino dos reis. A obra que essencialmente trata desse assunto é intitulada “Dois Tratados sobre o Governo” e foi publicada nos finais do século XVII. Em suas concepções, Locke defendia o estabelecimento de práticas políticas que não fossem contras as leis naturais do mundo.
Além disso, esse proeminente pensador observou muitos de seus interesses no campo político serem tematizados no interior de seu país quando presenciou importantes acontecimentos referentes à Revolução Inglesa. Em sua visão, um poder que não garantisse o direito à propriedade e à proteção da vida não poderia ter meios de legitimar o seu exercício. Ainda sob tal aspecto, afirmou claramente que um governo que não respeitasse esses direitos deveria ser legitimamente deposto pela população. 
No que se refere à propriedade, Locke se utiliza de argumentos de ordem teológica para defender a sua própria existência. Segundo ele, o mundo e o homem são frutos do trabalho divino e, por isso, devem ser vistos como sua propriedade. Da mesma forma, toda riqueza que o homem fosse capaz de obter por meio de seu esforço individual deveriam ser, naturalmente, de sua propriedade.
Interessado em refletir sobre o processo de obtenção do conhecimento e a importância da educação para o indivíduo, Locke foi claro defensor do poder transformador das instituições de ensino. De acordo com seus ensaios, o homem nascia sem dominar nenhuma forma de conhecimento e, somente com o passar dos anos, teria a capacidade de acumulá-lo. A partir dessa premissa é que o autor britânico acreditava que as mazelas eram socialmente produzidas e poderiam ser superadas pelo homem.
O reconhecimento do legado de Locke ocorreu quando ele ainda era vivo. Durante a vida, teve a oportunidade de ocupar importantes cargos administrativos e exerceu funções de caráter diplomático. Na Inglaterra, chegou a ocupar o cargo de membro do Parlamento e defendeu o direito dessa instituição indicar os ministros que viessem a compor o Estado. Respeitado por vários outros representantes do pensamento liberal, John Locke faleceu em 1704, na cidade de Oates, Inglaterra.
Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


Livro - Antropologia I

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Livro - Antropologia I -Os Argonautas do Pacifico Ocidental - Bronislaw Malinowski

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Resumo: Os termos argonautas transportam-nos para a lenda grega, para os mitos. Na verdade, Argonautas do Pacífico Ocidental é um título bem sugestivo para descrever a etnografia de um povo navegador – o trobriandês - cuja cultura não pode ser dissociada do mito, da magia. Estes dois elementos são imanentes à cultura trobriandesa.
Têm uma força, uma grandeza que envolvem de tal maneira esta cultura que falar desta sem falar desses elementos não faria qualquer sentido. Para este povo o mito serve de fundamento à magia. Esta é uma força que o nativo acredita possuir para eficazmente dominar a natureza em seu favor. É uma técnica de que dispõe para usar sobre a natureza. Que pode usar para a consecução do êxito ou prejuízo dos outros.
Todas as tarefas são envolvidas por rituais mágicos em cuja eficácia os nativos crêem firmemente. Por isso, os executores dos encantamentos mágicos assumem relevância, gozam de importância social, detêm poder e privilégios e em determinadas circunstâncias são temidos.
Os bowoga’u e as mulukuausi são os tipos de feiticeiros mais temidos entre os nativos pela prática da magia negra. No topo da hierarquia social está o chefe poderoso e rico, tratado de forma especial pelos demais; na sua presença nenhum plebeu pode apresentar-se com altura superior. Neste caso, precisa curvar-se ou agachar-se.
O chefe é rodeado de todas as atenções. O chefe premeia, paga os serviços prestados e castiga. Porém, a punição é quase sempre aplicada pelos feiticeiros. Este povo é horticultor, pescador e comerciante, cujo comércio está ligado à navegação que se faz dentro de uma importante instituição ritualizada: o Kula. Através do Kula os nativos reconstituem um tempo passado. Por um período, entram na posse de objectos tradicionais de grande valor estimativo e com significado – colares e pulseiras de conchas – fazendo longas viagens nas suas canoas no círculo de ilhas para, à medida que trocam esses bens, criarem laços de solidariedade e confiança entre os parceiros com quem estabelecem a troca. 
Sobre o autor: Malinowski (1884/1942) inicia e desenvolve um novo momento no percurso da Antropologia. A sua formação situa-se primeiramente no campo das chamadas ciências exactas: física e matemática. Mais tarde interessa-se pelos problemas levantados pela Antropologia e passa a dedicar-se ao seu estudo.
Assim, da sua cidade natal, Cracóvia, na Polónia, Malinowski descobre o mundo, fazendo múltiplas viagens, sempre na procura de conhecer e melhor compreender as diferentes culturas. Malinowski efectuou várias expedições aos Arquipélagos da Melanésia da Nova Guiné, entre 1914 e 1918. Em 1922 é publicada a sua obra, Argonautas do Pacífico Ocidental, que é a monografia das ilhas Trobrian.