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27 de fev. de 2012

Jornal CS

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As diversas faces do carnaval

Durante o século XIX, o carnaval assumia feições bastante diferentes. 

Festa, diversão, riso e liberdades. Para muitos, estas são palavras que facilmente expressam o sentido que o carnaval assume no interior de nossa cultura. O uso das fantasias, as piadinhas jocosas das marchas e a entrega aos prazeres nos trazem a sincera impressão de que o carnaval tem um sentido universal de renovação da vida por meio de uma fuga temporária das obrigações que permeiam a vida dos indivíduos em seu cotidiano.
De fato, grandes teóricos destas manifestações salientaram com primazia estes valores encontráveis nos eventos carnavalescos ocorridos na Europa, principalmente, entre as passagens da Idade Média e do Renascimento. Contudo, tal fato não nos impede de perceber as nuances que tal data comemorativa ganha na medida em que toma espaço na cultura brasileira. Para que possamos vislumbrar tal diferenciação, podemos observar as primeiras festas de carnaval acontecidas no século XIX.
Sendo um assunto com uma quantidade de material pouco disponível, sugerimos que o professor trabalhe com os alunos o trecho de uma crônica do escritor José de Alencar que justamente descreve um desfile carnavalesco deste período. Segundo o autor:

“Muitas coisas se preparam este ano para os três dias de carnaval. Uma sociedade criada o ano passado, e que conta já perto de oitenta sócios, todos pessoas de boa companhia, deve fazer no domingo a sua grande “promenade” pelas ruas da cidade. A riqueza e o luxo dos trajes, uma banda de música, as flores, o aspecto original desses grupos alegres, hão de tornar interessante esse passeio dos máscaras, o primeiro que se realizará nesta corte com toda a ordem e regularidade. Quando se concluir a obra da Rua do Cano, poderemos então imitar, ainda mesmo de longe, as belas tardes do “Corso” em Roma.”

Para que as distinções que popularmente explicam o sentido do carnaval fiquem mais evidentes, peça para que os alunos produzam um breve texto sobre o significado do carnaval em nossa cultura. Só depois disso, entregue o pequeno texto com a descrição feita por José de Alencar. Após a leitura do documento, discuta com a turma os trechos que mais se contrastam com a explicação por eles produzida. Entre outros pontos, é interessante notar o destaque que Alencar deu à “ordem e regularidade” da festa.
Contudo, essa face comportada do carnaval se mostrava diferente de outras manifestações populares em que grupos de trabalhadores e escravos comemoravam a festa de outra maneira. Para demonstrar esse outro lado da festa carnavalesca, podemos contar com um relato do viajante francês Benajamin Gastineau, que diz:


“O Carnaval do Rio de Janeiro (Brasil) não possui nada de muito curioso; sua brincadeira mais espirituosa consiste em regar os passantes por meio de pequenas seringas; é verdade que a pessoa que for molhada tem o direito de entrar na casa de onde partiu a ducha e de devolver, mesmo às mulheres, cada gota d'água que recebeu. As elegantes brasileiras se utilizam, para esta recreação, de bolas ocas ou pequenas seringas cheias de água perfumada.”

Nesse outro relato, o aluno percebe a realização de brincadeiras que em nada tinham a ver com aspecto ordeiro do desfile anunciado por José de Alencar. Mais conhecida como “entrudo”, essa manifestação permitia a invasão do espaço privado com o uso de brincadeiras que iam contra os limites impostos por um mundo cingido pela seriedade. De forma mais geral, tais manifestações carnavalescas aconteciam entre as populações menos abastadas e tomavam o tempo de mulatos e escravos da capital carioca.
Para encerrar tal exercício de comparação, o professor pode incumbir a turma de uma tarefa onde possa notar, nos dias de hoje, manifestações carnavalescas de diferentes tipos. Para que seja possível a produção desse material, indique aos alunos algumas festas e eventos que se desenvolvem no carnaval contemporâneo. Dessa forma, o aluno pode ver no presente as nuances captadas no passado e perceber o caráter múltiplo que a cultura ganha no campo de seu exercício.
 
Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

8 de dez. de 2011

Jornal CS

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DIA DOS GERAIS- LUIZ HENRIQUE (*)

Matias Cardoso - Primeiro Povoado da Região.

Após uma espera de seis anos, o Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou, em 2º turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 21/11, com o voto de todos os deputados presentes. A proposição dá nova redação ao artigo 256 da Constituição do Estado, estabelecendo o dia 8 de dezembro como o Dia dos Gerais, entre as datas comemorativas do Estado, ao lado do dia 21 de abril, Dia de Tiradentes e do 16 de julho, renomeado como Dia de Minas.
Como relator defendi esta proposta e lutei pela sua aprovação, por acreditar que se faz urgente ressignificar o papel desempenhado pelo Gerais na fundação e consolidação do Estado de Minas Gerais e reafirmar a ideologia da mineiridade de que aqui há os mineiros e os geraizeiros.
A criação do Dia dos Gerais é uma bandeira que, já em 2005, motivou o Movimento Catrumano, articulado por intelectuais, artistas e políticos do Norte de Minas, a dar início a uma ação coordenada, em defesa do reconhecimento de que a primeira região mineira a ser povoada foi o Norte de Minas, através dos currais do Rio São Francisco e do Rio Verde, nas atividades agropastoris dos gerais.
Integraram este movimento o antropólogo e professor da Unimontes, João Batista Costa - Joba,  o presidente da Amagis, o Juiz de Direito Bruno Terra Dias, a ex-deputada e secretária Elbe Brandão, o ex-reitor da Unimontes, Paulo César, o presidente da Fundação Darcy Ribeiro, Paulo Ribeiro, a subsecretária de Desenvolvimento Urbano, Beatriz de Sá, o presidente da Amams, Walmir Morais de Sá, o prefeito de Matias Cardoso, João Cordoval, dentre tantos, além de instituições como a Fundação Cultural Genival Tourinho e a Universidade Estadual de Montes Claros.
Na ocasião, a deputada Ana Maria Resende, apresentou a PEC 95/2006 que transfere simbolicamente a capital do Estado para Mariana e Matias Cardoso, alternadamente, nas comemorações do Dia do Estado de Minas Gerais. No entanto, ela não foi aprovada, causando grande frustração em todo o sertão mineiro. Posteriormente, o deputado Paulo Guedes, voltou a apresentar a PEC 21/2011 que foi analisada por uma Comissão Especial que teve como presidente o deputado Tadeu Martins Leite, e eu como relator.
Mergulhei em um trabalho de pesquisas, busquei apoio em referências bibliográficas, estudos e pessoas, sobretudo do presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, dr. Jorge Lasmar, do antropólogo João Batista Costa, que já  produziu um extenso material baseado em dados históricos recentemente revistos e sistematizados, e do Juiz Bruno Terra Dias, que produziu um artigo sobre o tema.
Convicto e embasado, fiz um intenso trabalho de mobilização junto aos colegas parlamentares para convencê-los de que se faz urgente este resgate da importância de Matias Cardoso e do Norte de Minas na constituição do nosso Estado.
Contamos, ainda, com o apoio do governador Antônio Anastasia, que já havia criado o Conselho da Medalha Matias Cardoso, do vice-governador, Alberto Pinto Coelho, que se pronunciou favorável à proposta e do presidente da Assembleia, Dinis Pinheiro.
Rubem Alves afirmou que um dos princípios da política é sonhar os sonhos do povo e se dedicar a transformá-los em realidade. Neste dia 8 de dezembro, tornamos realidade um sonho do povo norte mineiro, reconhecendo que Minas, de fato, são muitas, e esta importante região de Minas é O GERAIS!!

 (*) Deputado Estadual

Jornal CS

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Internetês ou Português - O Analfabetismo Virtual
Por: Leandro Braçaroto
Nos dias de hoje é normal encontrarmos em bate-papos, jogos, conversas entre usuários, uma linguagem totalmente diferente: o internetês adotado por muitos jovens.
Vamos ao Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet%C3%AAs): O internetês é uma linguagem surgida no ambiente da internet, baseada na simplificação informal da escrita, com o objetivo principal de tornar mais ágil e rápida a comunicação, fazendo dela uma linguagem taquigráfica, fonética e visual. Abreviações, simplificações, símbolos criados por combinação de caracteres, símbolos gráficos próprios, e uma diversidade de recursos de comunicação por imagens utilizados na internet são as principais características encontradas nas mensagens que utilizam esta linguagem.
Vamos a alguns exemplos: "Td de bom p vc. Xau, bju!, Blz, t+! A gtn se fla por aki. Bjaum!" (o certo: Tudo de bom para você. Tchau. beijo!, beleza, até mais" A gente se fala por aqui. Beijão"), "Kd vc q naum dexo coments no meo flog pra eu fla c vc?" (o certo: Onde está você que não deixou um comentário na minha página pessoal de fotos para eu falar contigo?). Estas são frases típicas do que alguns professores, estudiosos da língua e gramáticos passaram a chamar de internetês. Mas pra falar sério, o que é possível encontrar atualmente na internet é brincadeira: "toaxandumoskema" (o certo : estou achando o maior esquema) entre outros é o principal problema.
Sim! Tudo quer dizer a mesma coisa! E acredite, há muita gente que só escreve na internet assim. Para essa galerinha, teclar com amigos escrevendo de forma natural e obedecendo às regras da gramática portuguesa pode ser brega, cafona e até mesmo sinônimo de uma pessoa ultrapassada.
O termo internetês, que ainda não está no dicionário (ainda, diriam os que já sabem que delete, off-line e on-line já constam no vocabulário - Leia a matéria! http://www.acessa.com/informatica/arquivo/narede/2005/12/19-vocabulario/ ), expressa a nova forma de escrever adotada pela maioria dos jovens e adolescentes com o hábito de conversar em chats e programas de bate-papo. A maneira colocou como regra o não uso de acentos, a possibilidades de inventar palavras ou emendá-las obedecendo somente à fonética.
A internet e as novas tecnologias de comunicação, além de mudar nossos hábitos, nossa percepção de mundo, está querendo agora mudar o ... português. É impressionante como o internetês está por todos os lados. Você, que tem um certo cuidado em relação à sua escrita, vê-se desestimulado quando olha para a grande maioria dos blogs e sites cujos autores eScReVeM aXiM, por exemplo. Erros de ortografia seguidos de erros de pontuação dão passagem a inúmeros erros gramaticais. Enfim, quando você percebe, a bola de neve já se formou e vem em sua direção. Independente do lado que escolher, parece ser impossível fugir.
Mesmo que não se sinta bem em relação às suas dúvidas sobre português, lembre-se, há editores de textos que podem ser de grande valia nessas horas – apesar de nem sempre serem totalmente confiáveis - Se você não sabe como se escreve aquela palavra ou não tem certeza se conjugou corretamente o verbo, tente-se ajudar usando um dicionário. Com certeza a nossa e a sua leitura serão bem melhores.
Ter pelo menos um certo conhecimento da sua língua e tentar escrever corretamente são o que todos deveriam buscar. Faça do seu blog, site, flog etc, um local de leitura agradável. São nesses espaços que podemos aperfeiçoar nossa escrita, nosso maravilhoso português. Ao contrário do que você imagina, isso atrairá leitores e quem sabe até fãs! Tenha em mente que você pode escrever sobre o que quiser, mas perceba que não adiantará em nada escrever sobre algo interessante se você não souber expressar-se.
O principal problema do internetês é quando esta forma errada passa-se a virar rotina e causar dúvidas na hora da escrita correta, como coletado na internet, uma frase de uma garota de 14 anos, estudante do ensino médio: "Muitas vezes escrevo e tenho que apagar. É uma coisa muito natural pra mim, porque na verdade escrevo muitas vezes mais no computador que no papel", diz. Neste artigo (http://www.acessa.com/informatica/arquivo/galeraweb/2006/01/18-internet/) é retratado que ela digita tudo em uma grande velocidade, muitas vezes, superior ao tempo gasto para escrever em papel, e passa em média seis horas do dia em frente ao computador. Desse jeito, fica realmente muito difícil não se confundir.
Para defender a idéia, a professora da garota também diz: "Imaginemos uma história com início meio e fim. Para nós, adultos que não tivemos uma experiência com computadores tão profunda como essa nova geração tem, parece mais que natural desenvolver uma ordem cronológica para o nosso discurso. Simplesmente, a maioria desse pessoal que passa o dia falando no computador, não consegue. Muitos não entrelaçam os parágrafos, não amarram as idéias e não possuem um poder de argumentação tão aguçado".
Até onde chegaremos? Atualmente temos até o inglês incorporado em meio ao português: "vo fase um fake profile ai tu add e deixa um scrap" (o certo: Vou fazer uma outra conta com meu perfil, com isso você me adiciona e me deixa um recado) ou "vo por um mod pra dá um clean no visual" (o certo: Vou colocar uma modificação para dar uma limpada no visual), e cada vez mais se não formos "aprendendo" o internetês ficamos de fora das comunicações com os jovens.
E o pior: o internetês é uma técnica que tende a crescer. Segundo a E-Consulting, o Brasil tem 25 milhões de internautas. E, de acordo com pesquisa do Ibope/NetRating, os brasileiros ficaram, em julho do ano passado, em média, cerca de 16h e 54min conectados, ou seja, somos a população que passa mais tempo na internet no mundo. Fica claro que a web e sua linguagem são coisas cada vez mais presentes no cotidiano brasileiro.
Reflita uma coisa... De que adiantou você ter passado anos e mais anos na escola estudando português, se tudo o que aprendeu não é sendo usado dentro do seu padrão de leitura e escrita?! Procure um dicionário na hora de escrever, quando escrever, escreva corretamente, atentando-se a acentos, parágrafos, exposição de idéias. Faça um texto com coesão e coerência. Nosso português agradece e, principalmente, quem ler seu texto.

Jornal CS

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A fantasia das três raças brasileira


O Termo raça caiu em desuso
Na atualidade não existe nenhuma sociedade ou grupo social que não possua a mistura de etnias diferentes. Há exceções como pouquíssimos grupos indígenas que ainda vivem isolados na América Latina ou em algum outro lugar do planeta.
De modo geral, as sociedades contemporâneas são o resultado de um longo processo de miscigenação de suas populações, cuja intensidade variou ao longo do tempo e do espaço. O conceito “miscigenação” pode ser definido como o processo resultante da mistura a partir de casamentos ou coabitação de um homem e uma mulher de etnias diferentes.
A miscigenação ocorre na união entre brancos e negros, brancos e amarelos e entre amarelos e negros. O senso comum divide a espécie humana entre brancos, negros e amarelos, que, popularmente, são tidos como "raças" a partir de um traço peculiar – a cor da pele. Todavia, brancos, negros e amarelos não constituem raças no sentido biológico, mas grupos humanos de significado sociológico.
No Brasil, há o “Mito das três raças”, desenvolvido tanto pelo antropólogo Darcy Ribeiro como pelo senso comum, em que a cultura e a sociedade brasileiras foram constituídas a partir das influências culturais das “três raças”: europeia, africana e indígena.
Contudo, esse mito não é compartilhado por diversos críticos, pois minimiza a dominação violenta provocada pela colonização portuguesa sobre os povos indígenas e africanos, colocando a situação de colonização como um equilíbrio de forças entre os três povos, o que de fato não houve. Estudos antropológicos utilizaram, entre os séculos XVII e XX, o termo “raça” para designar as várias classificações de grupos humanos; mas desde que surgiram os primeiros métodos genéticos para estudar biologicamente as populações humanas, o termo raça caiu em desuso.
Enfim, "o mito das três raças" é criticado por ser considerado uma visão simplista e biologizante do processo colonizador brasileiro.

Orson Camargo
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP

20 de set. de 2011

Jornal CS

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Dança na linguagem simbólica
Por: Renato Mota
A dança é celebração, “a dança é linguagem”. Linguagem para aquém da palavra: as danças de cortejamento dos pássaros o demonstram. Linguagem para além a palavra: porque onde as palavras já não bastam, o homem apela para a dança. 
O que é essa febre, capaz de apoderar-se de uma criatura e de agitá-la até o frenesi, senão a manifestação, muitas vezes explosiva, do Instinto da Vida, que só aspira rejeitar toda a dualidade do temporal para reencontrar, de um salto, a unidade primeira, em que corpos e almas, criador e criação, visível e invisível se encontram e se soldam, fora do tempo, num só êxtase. A dança clama pela identificação com o imperecível; celebra-o.
Tal é a dança do rei Davi diante da Arca, ou a que encantava e arrastava num turbilhão sem fim Meviana D’jellal ed’din Rumi, o fundador da confraria dos dervixes rodopiantes (mawala-wiyya), e um dos maiores poetas líricos de todos os tempos. Tais são também todas as danças principiativas, todas as danças qualificadas como sagradas.
Mas tais são, ainda, na vida dita profana, todas as danças, populares ou eruditas, elaboradas ou de improvisação, individuais ou coletivas, as quais, em maior ou menor grau, busca uma libertação no êxtase, quer ela se limite ao corpo, quer seja mais sublimada – na medida em que se admita que haja grau, modos e medidas de êxtase.
O ordenamento da dança, seu ritmo, representa a escala pela qual se realiza e completa à libertação. Não há melhor exemplo que os xamãs, pois eles mesmos confessam que é com a dança, acompanhada pelo seu tambor, que se consuma a sua ascensão para o mundo dos espíritos. Da Grécia e de seus mistérios, da África, pátria dos orixás e do vodu, ao xamanismo siberiano e americano, e até nas danças livres do nosso tempo, por toda parte o homem exprime pela dança a mesma necessidade de livrar-se do perecível. As numerosas danças rituais para pedir chuva não diferem, nesse sentido, de nenhuma maneira, da mais trivial dança amorosa, e a extenuante dança do Sol, dos índios as Pradarias norte-americanas, bem como as danças de luto da China antiga, põem à prova a alma, procuram fortificá-la e conduzi-la pela senda invisível que leva do perecível ao imperecível. Porque se a dança é provação fervente, e prece, ela é também teatro.
Seria possível arrolar mil exemplos: o das danças de possessão, como as que se vêem no vodu do Haiti, mostra que esse teatro, essencialmente simbolista, tem também virtudes curativas. É essa, sem dúvida, a razão pela qual a medicina descobre – ou redescobre – uma terapêutica da dança, que as culturas conhecidas como animistas nunca deixaram de aplicar. 
Na Índia, o protótipo da dança cósmica é o tandava de Xivanataraja. Inscrita num círculo de chamas, essa dança simboliza ao mesmo tempo a criação e a pacificação, a destruição e a conservação. Simboliza, igualmente, a experiência do Yogin. Por outro lado, o Buda Amogasiddhi, senhor do movimento vital, criador, intelectual, leva, no budismo tântrico, o nome de Senhor da Dança.
 
As danças rituais da Índia fazem intervir todas as partes do corpo, em gestos que simbolizam estados d’alma distintos: mãos, unhas, globos oculares, nariz, lábios, braços, pernas, pés, ancas, que se mobilizam em meio a uma exibição de sedas e de cores, ou, por vezes, numa quase nudez.
Todas essas figuras exprimem e pedem uma espécie de fusão num mesmo movimento estético, emotivo, erótico, religioso ou místico, que é como uma volta ao Ser único de onde tudo emana, para onde tudo retorna, por um ir e vir incessante da Energia vital.
Nas tradições chinesas, a dança, ligada ao ritmo dos números, permite organizar o mundo. Ela pacifica os animais selvagens, estabelece a harmonia entre o Céu e a Terra. É dança de Yu-o-Grande que põe fim ao transbordamento das águas, à superabundância do yin. O sinal wu, que exprime a não-manifestação, a destruição teria tido, segundo alguns exegetas, o sentido primitivo de dançar.
Na África, onde a dança é, mais que no resto do mundo, extroversão, ela constitui, segundo o padre Mveng, a forma mais dramática da expressão cultural, porque é a única em que o homem, em sua recusa ao determinismo da natureza, se deseja, não só simplesmente liberado, mas liberado inclusive de seus limites. É por isso, de acordo com o autor, que a dança é a única expressão mística da religião africana.
No Egito, onde as danças eram tão múltiplas quanto elaboradas, elas traduziam, segundo Luciano, em movimentos expressivos, os mais misteriosos dogmas da religião, os mitos de Ápis e de Osíris, as transformações dos deuses em animais, e, acima de tudo, os seus amores.

Jean CHEVALIER & Alain GHEERBRANT, Dicionário de Símbolos, p.319. 
Renato Mota – 2002 – www.studiorenatomota.com.br

21 de mai. de 2011

Jornal CS

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Deixar de nhenhenhém

O incômodo do “nhenhenhém” acontece desde o período colonial.

Ao longo de sua história, a formação da cultura brasileira foi resultado de um dinâmico processo de empréstimos, trocas e reelaborações. Muitos nem imaginam, por exemplo, que o vocabulário da nossa língua seja influenciado por uma numerosa lista de termos de origem indígena. Em alguns casos, algumas expressões passam completamente despercebidas pelos falantes do “português brasileiro”.
Quando reclamamos que alguém deveria “deixar de nhenhenhém”, talvez por impaciência ou simples desconhecimento, nem suspeitamos da influência do tupi nessa expressão. Do ponto de vista etimológico, a palavra “nhenhenhém” consiste em um aportuguesamento dos verbos tupis “nhe’eng” (que significa falar) e “nheéng nheéng” (que sugere a ação de “insistir” ou “teimar”).
Ao entrarem em contato com os portugueses, os índios do litoral brasileiro não compreendiam uma só vírgula da língua utilizada pelos estrangeiros. Da mesma forma, os portugueses demoraram certo tempo para que pudessem compreender o universo de significados da língua dos nativos. Nesse meio tempo, é bem provável que alguns índios daquela época não ficavam muito interessados em perderem seu tempo com o “nheeng-nheeng-nheeng” (falar-falar-falar) dos colonizadores europeus.
De forma semelhante aos índios daquela época, ficamos irritados quando somos obrigados a aturar horas a fio uma conversa, discurso ou palestra pouco interessante. Como se ouvíssemos uma língua completamente desconhecida, transformamos aquela fala prolixa em um irritante amontoado de sons sem sentido. Portanto, clareza e objetividade se tornam essenciais para que o ato comunicativo não vire um enfadonho “nhenhenhém”.
Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

17 de abr. de 2011

Antropologia II

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LINHAS GERAIS DO EVOLUCIONISMO

O Evolucionismo já era tratado desde a Antigüidade quando o livro de Gênesis tratava sobre a criação do homem e seu pecado original. Na antigüidade as teorias sobre evolução e futuro do homem e tratado na teoria do progresso circular. Já na Id. Media a questão da evolução e tratado em duas situações: o pessimismo e a teoria da evolução social em espiral.
O inicio das teorias evolucionistas esta no próprio método cientifica e na filosofia. O iluminismo foi que serviu de base para o crescimento de todas as teorias evolucionistas. O Evolucionismo representou a manifestação de fé dos estudiosos na capacidade do homem de fazer uma historia cada vez mais grandiosa.
A Revolução Industrial veio colaborar para a linha do pensamento cientifico, pois ela obtia grandes resultados, houve crescimento em vários itens: produção, população, conhecimentos, concentração demográfica e horizontes e com tudo isso o homem evoluía. O livro “A Origem das Espécies” de Charles Darwin foi o que expôs o conjunto de idéias a respeito da evolução de todas as espécies. Lamark foi tido como fundador da teoria da evolução e sua idéia mais conhecida e da afirmação de que a função cria o órgão e esta idéia não foi aplicada ao homem devido aos preconceitos que existia na época e acaba por explicar que o Evolucionismo da antropologia cultural não deriva do Evolucionismo biológico de Darwin, de Lamark e de tantos outros.
O Evolucionismo foi uma boa forma de encarar a realidade humana, pois ele se interessava em mostrar como acontecia a evolução e o progresso, porem não procurava provar a existência da evolução. Tylor e considerado o pai da etnologia por ter sido o primeiro a tentar organizar o estudo da cultura. Ele mostrou o desenvolvimento da pratica religiosa e também foi responsável pelo termo “cultura”, distinguindo do de raça. Foi responsável pela organização das idéias evolucionistas a respeito da cultura. James Frazer teve seu nome ligado ao Evolucionismo por ter conseguido popularizar a antropologia social.
O Evolucionismo cultural teve como características a:
·        amplitude do objeto de estudo, pois visava a estudar a cultura e também era necessário lançar as bases da disciplina no sentido de promover uma redução teórica que permitisse a generalização e a constituição das denominadas leis científicas. Devemos também saber que o Evolucionismo deixou duvida em relação as razoes e causas das transformações da cultura;
·        tempo, pois os evolucionistas tentaram criar seu próprio tempo, o cultural. Para eles o que determinava o tempo era os níveis de cultura e indispensável a consideração do tempo e espaço no estudo da cultura;
·        método comparativo: a adequação de método ao objeto foi utilizado por este método. Este método não era novo, já tinha sido utilizado por Aristóteles em seus estudos e vem sendo utilizado nas ciências humanas. A maneira correta de utilização do método comparativo foi aplicada nos estudos dos povos contemporâneos primitivos e suas falhas foi evidenciada na sua aplicação e não na metodologia;
·        temas e conceitos: sem duvida foram as instituições religiosas e familiares. Preocupavam-se também com as instituições jurídicas e demonstravam como a cultura obedece a uma evolução universal e unilinear.
·        Os principais conceitos introduzidos pelos evolucionistas foram a cultura, sistema de parentesco, sobrevivência, aderençais, evolução cultural, religião, magia simpática, por contato, terminologia de parentesco, totemismo, clã, tribo, fatria, descendência patrilinear ou matrilinear e vários outros itens. Com isso vemos que o Evolucionismo tem suas falhas, porem tem seu lugar de destaque na Antropologia.
·        Para os neo-evolucionistas o estudo da evolução cultural e sinônimo do estudo do processo técnico ou tecnológico e acredita que o homem explora o meio ambiente para preservar a vida e garantir a perpetuação da espécie e a tarefa principal da antropologia e especificar os fatores do desenvolvimento determinantes.
·        Vimos que todos os tipos de Evolucionismo têm varias distinções, porem todas validas no estudo da Antropologia dentro dos parâmetros e objetivos a que se propõe.

 


15 de fev. de 2011

Antropologia II - Biografia: H. Morgan

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Lewis Henry Morgan (Antropólogo, etnólogo e escritor) 1818 – 1881

Antropólogo, etnólogo e escritor estadunidense nascido em uma fazenda, cinco milhas ao sul de Aurora, New York, United States, um dos fundadores da moderna antropologia científica.
Foi educado na Cayuga Academy, formado em direito no Union College (1840) e inicialmente exerceu a advocacia na cidade de Aurora. Mudando-se para Rochester (1844), cidade onde ficou até morrer, fez sucesso como advogado e envolveu-se com política, filiando-se ao Partido Republicano, e foi deputado e depois senador.
Foi quando se interessou por antropologia e pelas questões ligadas aos iroqueses e começou seu trabalho em defesa dos direitos dos índios, ao mesmo tempo em que se dedicava a estudar a cultura do povo iroquês.
Nos anos seguintes, fez pesquisa de campo entre os iroqueses, de onde retirou material para sua reflexão sobre cultura e sociedade. Desenvolveu pesquisas de campo entre numerosas tribos norte-americanas e pesquisou material de outras regiões do mundo, o que o levou a elaborar uma classificação universal dos sistemas de parentesco, no qual tentou estabelecer conexões de sistemas de parentesco em escala global.
Foi o primeiro a estudar os sistemas de parentesco e elaborar uma ambiciosa teoria sobre a evolução cultural do homem, segundo a qual a evolução cultural de uma sociedade se desenvolveria em três etapas: selvageria, barbárie e civilização.
Foi eleito membro da American Association for the Advancement of Science, a AAAS (1856), da National Academy of Sciences, a NAS (1875) e presidente da AAAS (1879). Morreu em Rochester, New York, e seus principais livros foram The League of the Ho-dé-no-saunee, or Iorquois (1851), Systems of Consanguinity and Affinity of the Human Family (1871), sobre os sistemas de parentesco em escala global, Houses and House-lives of the American Aborigines (1881) e Ancient Society (1877), no expôs sua teoria sobre os três estados de evolução da humanidade.

11 de jan. de 2011

Jornal CS

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Programa Roda Viva – Antropólogo Roberto DaMatta


Essa segunda-feira o Roda Viva recebeu uma das pessoas que mais entende de Brasil, e isso há pelo menos 40 anos. O antropólogo Roberto DaMatta é o convidado do programa dessa semana. Com mais de uma dezena de livros publicados no país e no exterior é professor emérito da Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos e da PUC do Rio de Janeiro.
DaMatta já escreveu sobre índios, carnaval, futebol, mulher, comida e até jogo do bicho. Dentro desses assuntos e de muitos outros, ele tenta sintetizar o pensamento do brasileiro de ontem, hoje e de amanhã.

Apresentação: Marília Gabriela
Entrevistado(s): Roberto DaMatta
Entrevistadores: Paulo Moreira Leite, Paulo Lima, Carlos Marchi, Consuelo Dieguez
Charges: Paulo Caruso

Para assistir a Entrevista:
A Entrevista completa é dividida em 4 blocos.

3 de dez. de 2010

Livro - Antropologia

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Livro - Antropologia I - Antropologia Cultural - Cap. V - problema do Relativismo Cultural - Herskovits








Livro - Antropologia I - Os Antropologos e suas Linhagens - Mariza G.S. Peirano

26 de nov. de 2010

Livro e Texto - Antropologia

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Seminário de Antropologia I

Livro - Antopologia I - A Interpretação da Cultura - Uma Descrição Densa Por uma Teoria Interpretativa da Cultura - Clifford Geert


Texto - Antropologia I - Transiçao para Humanidade - Cifford Gerrtz


3 de nov. de 2010

Livro - Antropologia I

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Livro - Antropologia I -Os Argonautas do Pacifico Ocidental - Bronislaw Malinowski

Donwload: (Clique aqui)


Resumo: Os termos argonautas transportam-nos para a lenda grega, para os mitos. Na verdade, Argonautas do Pacífico Ocidental é um título bem sugestivo para descrever a etnografia de um povo navegador – o trobriandês - cuja cultura não pode ser dissociada do mito, da magia. Estes dois elementos são imanentes à cultura trobriandesa.
Têm uma força, uma grandeza que envolvem de tal maneira esta cultura que falar desta sem falar desses elementos não faria qualquer sentido. Para este povo o mito serve de fundamento à magia. Esta é uma força que o nativo acredita possuir para eficazmente dominar a natureza em seu favor. É uma técnica de que dispõe para usar sobre a natureza. Que pode usar para a consecução do êxito ou prejuízo dos outros.
Todas as tarefas são envolvidas por rituais mágicos em cuja eficácia os nativos crêem firmemente. Por isso, os executores dos encantamentos mágicos assumem relevância, gozam de importância social, detêm poder e privilégios e em determinadas circunstâncias são temidos.
Os bowoga’u e as mulukuausi são os tipos de feiticeiros mais temidos entre os nativos pela prática da magia negra. No topo da hierarquia social está o chefe poderoso e rico, tratado de forma especial pelos demais; na sua presença nenhum plebeu pode apresentar-se com altura superior. Neste caso, precisa curvar-se ou agachar-se.
O chefe é rodeado de todas as atenções. O chefe premeia, paga os serviços prestados e castiga. Porém, a punição é quase sempre aplicada pelos feiticeiros. Este povo é horticultor, pescador e comerciante, cujo comércio está ligado à navegação que se faz dentro de uma importante instituição ritualizada: o Kula. Através do Kula os nativos reconstituem um tempo passado. Por um período, entram na posse de objectos tradicionais de grande valor estimativo e com significado – colares e pulseiras de conchas – fazendo longas viagens nas suas canoas no círculo de ilhas para, à medida que trocam esses bens, criarem laços de solidariedade e confiança entre os parceiros com quem estabelecem a troca. 
Sobre o autor: Malinowski (1884/1942) inicia e desenvolve um novo momento no percurso da Antropologia. A sua formação situa-se primeiramente no campo das chamadas ciências exactas: física e matemática. Mais tarde interessa-se pelos problemas levantados pela Antropologia e passa a dedicar-se ao seu estudo.
Assim, da sua cidade natal, Cracóvia, na Polónia, Malinowski descobre o mundo, fazendo múltiplas viagens, sempre na procura de conhecer e melhor compreender as diferentes culturas. Malinowski efectuou várias expedições aos Arquipélagos da Melanésia da Nova Guiné, entre 1914 e 1918. Em 1922 é publicada a sua obra, Argonautas do Pacífico Ocidental, que é a monografia das ilhas Trobrian.